domingo, 23 de dezembro de 2012

Serra de São Francisco - cachoeiras do Vale do Rio Sorocaba

Trip realizada nos dias 15 e 16 de Setembro de 2012
Por: Kassio Massa, Gabriel Medina, Mariane Borrelli, Tiago Baiões, Antônio Aires, Camila Ferreira, Leonardo Dantas, Marcelo Monteiro, Marília Araújo e Raphael Yamamoto.

Confira a galeria de fotos completa desta trip!

De um lado a exuberante Mata Atlântica, de outro, o vasto Cerrado, no meio, um autêntico parque aquático natural!


Votorantim, cidade pertencente a uma das principais áreas metropolitanas do Estado de São Paulo, a de Sorocaba, vem redescobrindo seu potencial turístico, seja no perímetro de sua área urbana, seja em sua zona rural. O que, até certo tempo, se resumia a uma zona de intensa exploração mineral, protagonizada pelo Grupo Votorantim e suas autarquias, hoje é objeto da luta de grupos, pessoas e entidades que buscam manter intactos os remanescentes naturais que tal exploração massiva não veio a destruir.

A área metropolitana de Sorocaba era famosa para os ecoturistas, trilheiros, amantes de esportes de aventura e mergulhadores por presenteá-los com algumas impressionantes pedreiras de calcário que foram alagadas devido a acidentes em suas escavações que acabaram por atingir os lençóis freáticos, tornando-se grandes lagos cujas suas águas possuem um vivo tom verde-esmeralda. A mais requisitada destas pedreiras era a Piraporinha, a 6km de Salto de Pirapora (cidade vizinha de Sorocaba e também integrante de sua área metropolitana), a qual cheguei a visitar em uma trip de reconhecimento, no meio de 2011. Mas constantes acidentes e o uso de tais locais para práticas ilícitas favoreceram autoridades regionais e estaduais a interditarem permanentemente o acesso às pedreiras.

Desanimado com o fato, mas curiosamente, ainda interessado pela região, pesquisei sobre outros possíveis atrativos exóticos que poderiam "substituir" em beleza e imponência as pedreiras, e não demorou muito para que uma rápida zapeada pelas imagens de satélite do milagroso Google Earth levasse o cursor do meu mouse para o Vale do Rio Sorocaba, uma fenda natural compreendida entre a grande barragem da Represa Itupararanga e o bairro operário de Santa Helena, cerca de 10km a sul de Votorantim e a 8km da pedreira Piraporinha. Por estar inserido em uma serra, a de São Francisco, e apresentar geografia e vegetação visivelmente intocada, logo imaginei que pudesse encontrar algo de interessante ali, hipótese confirmada quando cliquei em algumas fotos que "brotaram" pelo mapa, indicadas por "Cachoeira do Berne", "Cachoeira 45", "Cachoeira da Light", "Cachoeira de São Francisco" e "Cachoeira Paradise". Confuso inicialmente, procurei mais informações a respeito de cada um desses nomes, já que pelas fotos, todos apontavam para uma mesma cachoeira - muito bela por sinal -, e concluí não se tratar apenas de uma, mas sim, de uma sucessão de quedas d'água das quais a referida pelas fotos era a de São Francisco - ou tambem, "Paradise" como alguns a referem - , a mais alta, com cerca de 45 metros de queda vertical!

Sendo uma região ainda pouco explorada, informações na internet a respeito desta ainda eram escassas e pouco detalhadas. Mas por meio de um blog de ciclistas trilheiros de Votorantim, o Por Trilhas, mantido pelo amigo Rodrigo Dias, consegui informações que me auxiliaram na montagem da logística, inclusive um tracklog detalhado, o qual adaptei para uma rota a ser feita a pé. Sendo assim, já estava pronto para me aventurar neste complexo de cachoeiras, em plena transição entre a Mata Atlântica e o Cerrado Paulista!

Enfim, após algumas datas não acertadas, apenas eu e o Gabriel Medina, que também ajudou bastante na montagem da rota, conseguimos uma data favorável para a trip, o dia 15 de Setembro de 2012. Marcamos de nos encontrar na estação Itapevi, da CPTM, às 7h30, mas devido a uma atrapalhada cometida pelo Gabriel - havia embarcado, por engano, em uma outra linha de trem -, só nos trombamos na referida estação às 9h. É claro que isto não comprometeria o desenrolar da trip, que desta vez, envolveria pernoite.

O fato é que ao longo da semana, algumas pessoas haviam se interessado no roteiro e haviam deixado um sinal para mim, de que poderiam aparecer. Dito e feito, pouco antes de o Gabriel me encontrar na estação, o Thiago Baiões ligou para mim e disse que estava em seu carro, saindo de sua casa em direção a Votorantim, acompanhado de sua mulher, Mariane. Perfeito! Sugeri a ele que nos encontrasse no Terminal Urbano João Souto, em Votorantim, de onde seguiríamos em seu carro até um estacionamento nas proximidades da entrada da trilha, cerca de 13km depois. Fechado!

Sendo assim, eu e o Gabriel deixamos a estação Itapevi e seguimos até uma rua próxima, onde embarcamos num coletivo da então Expresso Regional (atualmente, quem opera esta linha é a Viação Piracicabana) que ia para São Roque. Cerca de 50min depois, descemos na Rodoviária de São Roque e procuramos pelo segundo ônibus do trajeto, uma linha operada pela Rápido Luxo Campinas, que faz o trajeto entre São Roque e Sorocaba via Mairinque e Alumínio. Por fim, após cerca de 20min de espera, embarcamos no veículo, em um terminal menor, localizado ao lado da Rodoviária, e em cerca de 45min, descemos na Rua Paula Souza, na região central de Sorocaba, onde ainda teríamos que pegar um terceiro ônibus para Votorantim. Este não demorou a aparecer, mas quase o perdemos, pois não sabíamos que as passagens, que eram vendidas num barzinho do outro lado da rua, deveriam ser comprados antes do embarque.

ITAPEVI
 
SÃO ROQUE
 
SOROCABA

Finalmente, após uma longa jornada de quase 5h30, envolvendo um trem e três ônibus, chegamos ao ponto de encontro combinado, o Terminal Urbano João Souto, importante hub de linhas municipais e intermunicipais da região, operado exclusivamente pela Viação São João. Averiguamos se o Thiago já havia chegado, mas ao percebermos que não havia nenhum sinal dele ou de sua companheira, liguei para ele e o mesmo disse já estar bem próximo e que chegaria dentro de 15min. Aproveitei e procurei me informar a respeito de uma possível linha de ônibus que operaria entre este terminal e os bairros semi-rurais próximos ao nosso destino, mas fui informado que, apesar da existência da linha (3113-Bairro Karafá), esta opera em horários bem restritos (apenas 4 horários por dia, não operando aos Domingos). Na ausência do carro, esta linha poderia ser a única esperança para um bate-e-volta a pé na região, fazendo-se evitar uma caminhada de cerca de 13km só de ida pela Estrada Municipal Votorantim - Piratuba.


Às 12h, avistamos o Thiago e a Mariane, que também estavam acompanhados pelo Antônio Aires. Todos no carro, Partimos em direção à Represa Itupararanga, onde procuraríamos um local apropriado para deixarmos o veículo. A  estrada é bem pavimentada, apresentando grande desnível entre a cidade e a barragem da represa. A paisagem é seca, com pouca vegetação, mas uma beleza singular. Após transpor a barragem, viramos à direita em direção ao Clube Náutico, onde perguntamos se poderíamos deixar o carro ali até o dia seguinte. Nos foi informado que não seria possível, porém, um funcionário do local nos permitiu a deixar o veículo em uma área em obras, também dentro do clube, e o mesmo cobraria R$10. Beleza!

 

Pegamos nossas tralhas, agradecemos o rapaz e seguimos pela estrada, retrocedendo quase 1km em direção à entrada da trilha, que fica à esquerda da barragem, sinalizada por um portão de madeira e uma placa que diz "Proibido Estacionar. área de Segurança". O céu limpo proporcionava um belo visual de todo o lago da represa de Itupararanga, a sul, e de todo o cânion do Rio Sorocaba, a norte, separados pela imensa estrutura de concreto-massa, datada de 1911.

 


Após alguns minutos de contemplação, transpusemos o portão de madeira, que estava fechado, e seguimos discretamente pela trilha, para não chamar atenção de possíveis guardas, já que esta é uma área particular. Ignoramos uma ramificação da trilha, que seguia para a esquerda, e em pouco tempo, já podíamos avistar a barragem de um outro ângulo, desta vez, vista do fundo do vale.

 
 

Às 13h30, atingimos o Rio Sorocaba, no primeiro atrativo do roteiro, conhecido por Cachoeira da Hidro, que tem este nome devido à ação das águas do rio, que criou pequenos e rasos buracos no grande lajeado que forma a queda d'água, onde é possível sentar e relaxar, com água corrente batendo nas costas, como se estivesse em uma banheira de hidromassagem!

 
 

Caminhando pelo grande lajeado, ainda me deparei com uma outra formação curiosa, um "furo" na rocha, pelo qual jorrava água vinda de uma piscina natural acima. O efeito visual causado pela incidência da luz solar nesta água era um tanto viciante de se observar! 

 

Por fim, às 16h30, demos continuidade ao percurso. Passamos pela casa do Sr. Clemente, único morador da área, onde existe uma bica d'água conhecida por todos os que frequentam o vale. Após batermos um breve papo com o senhor, prosseguimos pelo acidentado caminho de terra e pedra, que logo adiante, tornou-se um cenário jurássico, ao apresentar enormes grades de contenção de rocha, tubulações de água que pareciam não terminarem em lugar algum e estruturas metálicas curiosas!

 

Segundo as informações coletadas, após passarmos por uma grande estrutura de cor azul, deveríamos nos ater a um maciço rochoso à nossa direita, pelo qual deveríamos descer até o fundo do vale, visível a todo o momento.

 

Não demorou a encontrarmos tal rocha e a iniciarmos sua descida, com o máximo de cuidado possível, já que a declividade chegava a quase 60º em certos pontos. Terminada a desgastante descida, que durou quase 15min, nos vimos, finalmente, numa trilha óbvia, no fundo do Vale do Sorocaba.

 

Sabíamos que esta trilha margeia, a uma certa distância, o rio, e que seguindo por ela no sentido contrário ao do curso do rio, chegaríamos ao poço da Cachoeira de São Francisco. Sendo assim, caminhamos por cerca de 5min e eis que, de forma imponente, a grande cachoeira se ergueu à nossa frente, com seu topo levemente iluminado pelos últimos raios de Sol daquele dia.

Esta majestosa queda d'água ocorre num paredão de cerca de 45m verticais, formando em sua base uma enorme piscina natural de águas calmas e com uma profundidade máxima de cerca de 2m. Parte da margem do lago consiste num banco de areia e seixos que forma uma praia fluvial. No centro, há um outro banco de areia que forma, literalmente, uma pequena ilha! De fato, seu outro apelido, "Paradise", faz todo o sentido!


Já eram quase 18h e meu repelente já começava a falhar. Resolvemos então procurar um local às margens do poço da Cachoeira de São Francisco para instalar as barracas, porém, concluímos que ali não haveria espaço para duas barracas juntas, e decididos farejar algum outro ponto, rio abaixo. Retornamos pela mesma trilha até a base do maciço rochoso o qual havíamos descido outrora e ali mesmo percebemos um outro acesso à margem do rio. Incrível! Acabávamos de nos deparar com um lajeado rochoso às margens do rio, grande e plano o bastante para comportar até 4 barracas! Aqui o rio margeia o grande lajeado calmamente e retoma ser curso adiante. Armamos nosso acampamento e aproveitamos aquele início de noite para papear mais um pouco, à luz de uma pequena fogueira que acendemos ali mesmo (na rocha), e às 21h, já estávamos todos no mundo dos sonhos, do qual só despertaríamos na manhã do dia seguinte!

 
 

Após uma das noites mais confortáveis que já passei dentro de uma barraca em um camping selvagem, acordei, em plenas 5h30 da manhã, a fim de contemplar os primeiros raios de sol naquele recém-descoberto paraíso. Eu e o Gabriel nos dirigimos para a São Francisco para fotografar enquanto Thiago, Mariane e Augusto ainda não acordavam. Após certo tempo, retornamos ao acampamento, onde desjejuamos com alguns pães e biscoitos, para logo em seguida, desmontarmos a barraca. O pessoal já se encontrava lúcido àquela hora, e também já se preparava para recolher suas tralhas, mas enquanto isso, o Gabriel decidiu dar uma nova saída para explorar a parte mais abaixo do rio.


Levantado o acampamento e com o Gabriel de volta, nos dirigimos novamente à Cachoeira de São Francisco, onde iríamos aguardar a incerta chegada de mais uma galera trazida pelo Raphael Yamamoto e pelo Marcelo Monteiro, que também viria de carro para Votorantim, mas retornariam para São Paulo naquele mesmo dia. E não é que eles apareceram mesmo, às exatas 11h da manhã?

 
 
 

Com o nosso grupo agora numeroso, com 10 pessoas, o clima de descontração rapidamente pairou sobre aquele lugar, engolindo, inclusive, um outro grupo formado por ciclistas que também resolveu passar o dia na cachoeira! Fizemos nosso almoço ali mesmo, na praia fluvial, enquanto outros insistiam em curtir ao máximo o Sol do meio-dia que já se mostrava irradiante, onipresente! 


Enfim, às 13h, decidimos levar o pessoal rio abaixo, onde o Gabriel alegou ter encontrado uma outra interessante cachoeira durante a rápida exploratória que fez naquela manhã. Passamos reto pelo local onde havíamos acampado e em questão de menos de 10min, já podíamos avistar uma nova sequencia de quedas d'água e piscinas naturais esculpidas nos maciços rochosos. É interessante refrisar que o leito do Rio Sorocaba, nesta região, é majoritariamente rochoso, formado por enormes blocos de rocha esculpidos minuciosamente pela forma das águas.


O grupo de ciclistas logo nos alcançou e, durante uma conversa com eles, tomei conhecimento de que estávamos na Cachoeira do Berne ou da Vila da Light. Agora sim tá explicado, as fotos indicadas no Google Earth pelos nomes "Berne", "45", e "Light", apesar de mostrarem a mesma cachoeira, faziam referência a todas as cachus que havíamos passado até então. No caso , a "Cachoeira 45" era apenas um outro nome pelo qual a São Francisco é conhecida na região!

Quando o relógio marcava 14h30, decidimos iniciar o percurso de retorno, que ao contrário da ida, seria sacrificante, já que o tal maciço rochoso pelo qual descemos no dia anterior (e o pessoal do Yamamoto neste dia) teria que ser vencido novamente, porém, na subida a história é completamente diferente! O primeiro obstáculo seria o peso de nossas mochilas, que tornaria quase impossível a ascensão da rocha sem auxílio. A solução encontrada foi subirmos as mochilas separadamente, passando-as de pessoa para pessoa, até um ponto onde fosse possível prosseguir normalmente, carregando-as nas costas.


Após quase 20 desgastantes minutos de subida íngreme, atingimos o "caminho jurássico" pelo qual seguimos sem pressa alguma até uma pequena área coberta, onde encontramos alguns ciclistas que se identificaram como também integrantes do grupo que havíamos encontrado lá embaixo. Estes optaram por não descer e ficaram esperando os demais.


Feito um breve descanso, seguimos pelo mesmo caminho, passando novamente pela casa do Sr. Clemente para reabastecermos nossas reservas de água, sem deixar escapar a inevitável conversa do dia. Nos despedimos do simpático senhor e prosseguimos em direção à Cachoeira da Hidro, a fim de finalizarmos nossa trip por la. 

O lugar parecia um pouco mais movimentado que no dia anterior. Enquanto alguns banhistas nadavam despreocupados no lago da base da cachoeira, alguns mais aventureiros improvisavam um "ski-bunda" na rocha íngreme e lisa que formava um verdadeiro tobogã que os lançavam direto na água! 


Assim aproveitamos aquele meio de tarde, até que às 16h30, o Thiago sinalizava que teria que vazar, e como eu e o Gabriel estávamos de carona, decidimos ir também. Assim, nos despedimos do restante da galera, que resolveu ficar por lá durante mais algum tempo, e explorar uma outra cachoeira próxima, a qual ainda hei de visitar. 

Por volta das 17h, abandonávamos a trilha e caíamos na estrada asfaltada, em direção ao Clube Náutico, aonde chegamos e acertamos o valor combinado referente ao pernoite do veículo. O rapaz que nos cedeu o espaço não estava lá, mas fomos recebidos por sua esposa, a qual agradecemos profundamente por ter nos ajudado, e nos despedimos.


Já na área urbana de Votorantim, procuramos algum local para comer, pois estávamos exaustos e famintos, porém, a cidade é praticamente deserta aos Domingos. Sem sucesso, nos resumimos a um mero pacote de batatas chips, refrigerante e água, comprados em um barzinho, antes de prosseguir definitivamente a viagem.

Como o pessoal iria seguir por um caminho diferente ao meu e do Gabriel, já que moram em Ribeirão Pires, decidimos que desceríamos na Estação Itapevi, onde seguiríamos para São Paulo de trem. Após cerca de 1h, nos despedimos do Thiago, da Mariane e do Antônio, e seguimos para a referida estação, onde não tardou para embarcarmos no trem para a estação Júlio Prestes, em São Paulo, do qual desembarcaríamos na estação Palmeiras-Barra Funda, 50min depois.

Apesar das burláveis proibições de acesso às cachoeiras do Vale do Rio Sorocaba, ironicamente contrariadas no próprio site da Prefeitura de Votorantim, ao incluí-las na lista de atrativos turísticos da cidade, percebe-se, claramente, uma necessidade de novos horizontes para que esta cidade, assim como suas vizinhas, possam garantir um desenvolvimento sem que haja mais destruição e degradação decorrentes de seu passado intimamente ligado à mineração massiva. Neste quesito, a exuberante natureza ainda presente ali pode ser a locomotiva para um verdadeiro desenvolvimento sustentável da região.

Achou massa? Confira a galeria com todas as fotos desta trip!


INFORMAÇÕES ADICIONAIS

Seguem abaixo as tabelas com os horários, itinerários e tarifas das linhas de trem e ônibus utilizadas no trajeto:

LINHA 8 - DIAMANTE (CPTM)

LINHA DE ÔNIBUS INTERMUNICIPAL ITAPEVI - SÃO ROQUE (EXPRESSO REGIONAL / PIRACICABANA)

LINHA DE ÔNIBUS INTERMUNICIPAL SÃO ROQUE - SOROCABA ( RÁPIDO LUXO CAMPINAS)

LINHA DE ÔNIBUS INTERMUNICIPAL SOROCABA - VOTORANTIM (GRUPO SÃO JOÃO)

LINHA DE ÔNIBUS MUNICIPAL VOTORANTIM - BAIRRO KARAFÁ (GRUPO SÃO JOÃO)

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